Hoje eu vi que na verdade o que eu  queria era escrever sobre putas e não ser vulgar. Que eu gostaria de falar sobre violência e não ser agressivo. Que seria bom narrar a dor, sem precisar machucar. Falar de religião, sem pregar. Cantarolar o amor, sem soar meloso. Descrever o medo sem ser temeroso. Queria ilustrar o tédio sem ser enfadonho. Narrar momentos de infância sem soar infantil. Falar de sexo sem parecer pervertido. Falar dos seus problemas sem parecer intrometido. Hoje eu vi que gostaria de falar da morte, como se eu já tivesse vivido.