Três, dois, um.

Assim, aos poucos, me acordo de meus sonhos em RGB.

Sinto ainda, mesmo que de leve, a presença de um sono que há pouco estava ali.

Um sono que se perdeu em uma noite inteira, e que teve seu último suspiro lá pelas tantas da manhã.

Tão disposto a recomeçar uma vida real, estico-me em direções aleatóreas, na tentativa de expulsar qualquer vestígio de sono. E assim o faço.

Esticando-me, começo a lembrar dos sonhos incríveis e passageiros que me entreteram e me fizeram companhia em mais uma noite efêmera.

E sem o menor pudor ou medo, me alisto às minhas tarefas diárias.

Dentre elas, a de recolher, a cada minuto que se passa, um pouco mais de sono e de fragmentos caleidoscópicos potencializadores  de sonhos futuros.

Assim, vou vivendo meus dias em CMYK e sonhando meus poemas em RGB.