Num desencontro comigo mesmo, acabei me perdendo em pensamentos distantes e figuras pouco decifráveis. Vi homens e mulheres com sorrisos que lhes cobriam os olhos, com orelhas peludas e amareladas. Tudo tinha um cheiro de chocolate, peixes e crianças molhadas. Mesmo sem sentir meus olhos, sabia que via, ou via porque sabia, que daquilo ali, só o que não era possível existia e todo o real se desfazia em palavras que escorriam por paredes interminavelmente altas e temáticas. Uma fotografia disso traria o exato sentimento de se olhar no espelho e nem mesmo se encontrar, por de trás de tantos barulhos e espumas de barbear. Na corrida de volta à mim mesmo, esbarrei-me em meu próprio corpo e então caí, e até agora caio. Indefinidamente, caio.  Meu último resquício de brasilidade, minha esperança, é que acorde ainda antes de maio, antes do medo.