Muitos teóricos e práticos*, por assim dizer, afirmam que não é o software que garante a qualidade de um trabalho, e sim quem o elabora, planeja e produz (indivíduo ou equipe).

Isso fica bem explícito quando se analisa grupos de indivíduos que exercem as mesmas funções, onde existem pessoas que conseguem produzir um trabalho não só funcional, mas também belo e atrativo usando softwares considerados ruins, enquanto outros usam os ditos “melhores softwares” e também ótimos acessórios e não conseguem fazer algo nem se quer funcional. Isto é, não foi a marca ou o tipo de pincel que fez com que a pintura de Picasso, Dali, Van Gogh, etc. se tornasse mundialmente famosa e admirada.

Porém é interessante perceber que as empresas que fabricam os softwares, assim como os próprios profissionais que os utilizam, por uma imposição estratégica e mercadológica, estão em constante evolução e sempre buscando processos mais eficientes e eficazes para cumprirem suas funções com mais qualidade e, às vezes, com economia de tempo. Ou seja, os softwares são ferramentas (e apenas ferramentas) que, supostamente, melhoram a cada nova versão e podem facilitar e muito os processos desenvolvidos. Não é o pincel que faz com que grandes pintores sejam grandes pintores, mas se eles tiverem pinceis, canetas, réguas e mais opções de cores, provavelmente terão pinturas melhores.

Assim sendo, se for possível unir um bom profissional, com um bom software, a probabilidade de se ter um bom trabalho aumenta, uma vez que o profissional com todas as suas qualidades terá boas e variadas ferramentas ao seu dispor.

Existem trabalhos e etapas de processos que são melhores quando produzidas sem o uso de qualquer software: melhor que simular madeira com algum programa, é fotografar a própria madeira. Mas ainda melhor que fotografar a madeira é fazê-lo e ainda poder adicionar digitalmente qualquer coisa que vá enriquecer sua composição e aproximá-la do resultado previamente imaginado.

O que importa é a idéia/conceito por trás de um trabalho, mas quanto melhor as ferramentas e melhor elas forem utilizadas, maior a probabilidade de se ter bons resultados. Porque mesmo sendo a idéia o principal, só a idéia (algo não materializado) muitas vezes não se completa, assim uma música escrita não tem a mesma força que uma música cantada; um roteiro não emociona tanto quanto o filme já pronto; etc.; e isso também acontece com a publicidade e o design, só que nestes últimos, na maioria dos casos, devido à necessidade de produção em larga escala ou veiculação em meios de comunicação de massa, o resultado do trabalho (anúncio, cartaz, vídeo, site) deve ter uma versão ser digital. Se Picasso vivesse nos dias de hoje e trabalhasse em uma agência de publicidade ou em um estúdio de design (ou qualquer derivado), precisaria passar suas pinturas para o formato digital para só assim elas serem (re)produzidas e veiculadas.

Existem exceções onde materiais se tornam mais especiais por terem sido produzidos de forma mais artesanal e/ou tradicional, sem se utilizar de tantos recursos digitais, mas ainda assim, para serem veiculados, estes materiais precisam de versões digitais.

Como o resultado final soma em si a importância da idéia, das estratégias e da forma de produção e veiculação, acaba se tornando ainda mais importante que as partes analisadas individualmente, e qualquer recurso que possa melhorar sua qualidade, seja ele digital ou não, deve ser utilizado, em qualquer uma das etapas do processo criativo, produtivo e reprodutivo.

Somado a tudo isso, os prazos também são muito importantes no processo criativo: uma idéia “perfeita” que só é criada/pensada um dia depois do prazo de veiculação, deixa de ser uma idéia “perfeita”, porque o atraso não permite que esta se complete – no contexto da comunicação, a idéia só se completa quando ela responde às necessidades do cliente, é produzida e veiculada, dentro do prazo específico e pré-determinado, com a verba disponível e consegue chegar ao público-alvo com o mínimo possível de ruído. E um dos objetivos dos softwares, talvez o principal deles, é a possibilidade de acelerar os processos mais “mecânicos” e permitir a otimização do uso do tempo.

Tendo mais tempo uma idéia poderá ser trabalhada com mais cuidado e até os menores detalhes poderão ser assistidos, assim como a produção e distribuição dessa idéia terão tempo suficiente para se realizarem.

Conclui-se então que o bom profissional é bom por si só e não precisa se apoiar em softwares para ter suas idéias, mas que o uso dos softwares mais avançados pode ajudar a melhorar o resultado final da comunicação por ele produzida e por isso deve ser visto como uma integração entre teoria, técnica, metodologia e ferramentas tecnológicas e não como uma busca de atalhos que não trazem resultados. O uso destes programas não é um fator de discernimento entre o bom e o ruim, porque não é o software que determina a qualidade e sim o processo como um todo.

*Assim que der, coloco links que reforçam essa afirmação.

Esse texto não tem bibliografia porque foi feito “de cabeça”, mas com certeza muito do que foi falado ai pode ser lido em Hiperpublicidade 1 e 2.