O depoimento

Numa belíssima noite de sábado, paguei um senhor muito simpático e falastrão para me dar uma carona até algum lugar interessante. Ele, ao perceber meu gosto pela arte, me levou logo ao balé russo Bolshoi, onde as mais belas bailarinas dançavam e eram servidas as melhores vodkas do mundo.

Me lembro como se fosse agora, de longe a vi, bela, de saltos muito altos e seios fartos. Natasha era esse nome.

Não sei nem de onde nem como surgiu aquele troglodita maldito que quase me matou e espantou a minha bailarina linda…

As observações do Coronel Matias

Na madrugada de sábado para domingo, o indivíduo acima mencionado, de posse de uma garrafa de vodka barata, se embriagava próximo ao luminoso do pub Bolshoi. Como não incomodava ninguém, não chamou a atenção nem dos vigias de carro. Por ser a noite do orgulho gay, acontecia um evento especial no supracitado pub, onde dragqueens e diversos outros representantes do movimento glsbt regional fizeram seus discursos e seus shows.

O indivíduo foi preso e autuado após tentar forçar contato com uma das dragqueens do evento. Como o Sargento Carlão faz parte da investigação de crimes homofóbicos na cidade, ele – contra sua vontade, e usando o codinome Natasha – havia se fantasiado de dragqueen para melhor se infiltrar no seu universo de estudo e perdeu as estribeiras ao sentir uma mão gelada agarrando sua nádega, por baixo da fina saia. “Ai, minha bailarina linda” aparentemente, foi a única coisa que o Sargento Carlão ouviu de seu agressor.