Repórter, olhando para a câmera: Estamos aqui na principal universidade federal do nordeste brasileiro, ao vivo, com o professor doutor Juscelino Severino Cavalcante, coordenador e professor do doutorado em Psicologia, Sociologia e Comportamento Humano, com quem falaremos sobre seu mais recente estudo.

Repórter, olhando para o professor: Boa tarde, conte-nos um pouco mais sobre essa sua pesquisa. Do que se trata e como surgiu a oportunidade de estudar tal tema?

Professor doutor Severino, olhando hora para repórter, hora para câmera: Como estudamos o comportamento humano individual, em comunidade e em situações adversas, nos ficou claro que era necessário um estudo mais aprofundado sobre a relação de amor e ódio que determinadas pessoas nutrem em relação a alguns nomes específicos.

É sabido que toda mulher brasileira odeia, pelo menos, uma Carol, uma Mayara ou uma Paulinha. Aqui no nordeste brasileiro, outros dois nomes que causam muita discórdia são Maria Bonita e Cidinha, diminutivo de Aparecida. Com nossos estudos in loco, prático e teórico concluímos que esses nomes são por demais comuns, e por isso, acabam nomeando diversos tipos de mulheres, inclusive as de personalidade peculiar, talvez difícil. Ou melhor, de personalidade fácil, muito fácil. E é essa facilidade que tanto incomoda as outras mulheres. Pois como já é bem recorrente no senso comum, uma vez que já foi provado empiricamente, nenhuma mulher gosta que rabos-de-saia, com o perdão da expressão, fiquem saracuteando pro lado de seu homem, seja ele marido ou namorado. Com isso, concluímos que é assim que essas pobres moças, que não têm culpa de carregarem consigo a nomenclatura que lhes foi dada, acabam sendo vítimas da raiva, do ódio, da ira e da fúria de mulheres de bom coração e bem intencionadas, que simplesmente não querem que qualquer uma, ou nenhuma, outra mulher fique exibindo seu corpo e suas safadagens para homens previamente comprometidos.

O mesmo fenômeno pode ser observado quando se trata da perspectiva masculina. Pelos mesmos motivos, todo homem odeia um Ricardo, um Vinícius ou um Washington Silva Serafim Rodrigues. – Nessa hora o sotaque do professor Juscelino Severino ficou bem mais evidente, caro leitor – E se não odeiam, diviriam odiá, porque esse malandro, vagabundo, sem vergonha, mitido, inxirido, depravado, filho de uma safada, foi inventar de querer se engraçar com mulhé minha! Ah, mas isso eu num tulero. Eu fico é brabo mermo. E num é hoje que vou aceitá esse tipo de sem-vergonhice. E digo mais, se eu encontrar esse infiliz vivo, sô inté capais de matá ele di novo. Mas dessa veiz num ia sê di levinho não… num ia fica só nas catorze facada e nos quatro tiro não. Ah, mas eu ia matá esse disgraçado é pra valer mermo… aquele miserável, sem vergonha, tarado de uma figa… Ah se…